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quinta-feira, junho 09, 2011

São recordações...

Tenho uma vida feita de recordações e uma nostalgia acompanha os segundos dos meus dias. Custa-me por vezes quebrar este pedaço de mim e avançar voando até o infinito mas quando se dá a quebra um novo eu surge perante os demais e sonhando livremente faço o meu próprio caminho para espanto de muitos. A minha rebeldia fere muita gente ao primeiro impacto mas por dentro cativa mundos da mesma forma que sou cativado para mundos que desconhecia. No fim, volto sempre ao ponto de partida mas sempre com um sorriso que sai tão livre como nunca e com mais uma recordação que guardo em mim com todo o meu coração...

terça-feira, julho 13, 2010

Nunca é tarde para viver

Sooner or later in life
the things you love most
you loose...
but,
we need to believe
so we can live it
to the end...

Mais cedo ou mais tarde na vida
as coisas que mais amas
tu perdes
mas,
precisamos de acreditar
para as conseguirmos viver
até ao fim...

Bruno Coelho

terça-feira, maio 04, 2010

Ilusão


Não posso esquecer que sem fim me dou e é de todo verosímil a loucura do meu ser mas que posso eu fazer se na mentira faço os sonhos que me fazem sorrir. Sou quem dizeis quem sou mas na vontade do ser sou apenas mais um vagabundo sem hora e lugar marcado. Acabo sempre nestes recantos e nas sombras de uma vida que nos marca sem cessar. Fico-me pelos pensamentos e às memórias me deixo aquando te afastas de mim. Acabo derrotado, talvez envergonhado, mas na arrogância pura e máscula liberto-me para morrer. E, é assim que por vezes me perco na tua ausência porque é sabido que do tempo apenas a saudade se lembra e nada pode sossegar a alma no exacto momento em que a ausência nos percorre o corpo em dor. A verdade é que a saudade pesa-me demais e as memórias queridas compiladas em nossa mente vão-se encurtando por entre o abrir e fechar de olhos. Adormeço vezes demais a pensar em ti mas outras tantas vezes acordo derrotado pela distância. Resta-me calar ou lutar porque já não consigo esconder a vontade de te ver ora porque a ansiedade se apodera de mim a toda a força ora porque o pânico me conquista no passar das ideias moribundas. Seja como for, só queria que o mundo soubesse que por vezes trago em mim o sabor da ilusão e que no toque dos lábios amar é fácil mas é na essência do silêncio que os olhos se tornam duros e uma outra realidade se descobre.

terça-feira, abril 20, 2010

As Horas

Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais.

Michael Cunningham, em "As Horas"

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Zumbido

Com um vestido escuro sobre a sua pele clara passa em passos de lã por entre uma multidão de corpos quentes e moribundos que bailam livremente ao sabor de uma melódica música numa sala pequena e perdida nestes confins que lhe chamo fim do mundo.
Eu deixo-me ficar de frente para o barulho, de calças de ganga azul escura, uma simples t-shirt e casaca de pele preta. Ainda trago comigo o frio de inverno, da neve intensa de lá de fora. Sinto o gelo da neve acumulada em meu cabelo derreter e escorrer por minha cara abaixo, tocam-me nos olhos. Respiro fundo. Uma abafada corrente de ar quente e húmido esbate-me no corpo vindo da multidão. Sinto o cheiro dos corpos e do aroma dos demais por entre um tímido mas resistente cheiro a madeira velha que preenche a casa.
Dois jovens de olhos pretos e mãos entrelaçadas passam à minha frente, respiram numa intimidade apaixonada, trazem o coração no olhar que lançam sobre o outro. Já não me lembra a última vez que me apaixonei com toda a força, só me lembra o presente e os devaneios sem futuro. Sinto a falta de amar, faz-me frio, faz-me ficar aqui de olhos baixos, sentindo lá longe o movimento das restantes vidas. Triste estas nossas vidas que não recebemos um abraço nestas noites de Inverno...
Gosto de traços pretos, bem definidos, por debaixo de um olhar a arranhar os demais. Gosto do olhar dos apaixonados, de todo o seu brilho, parece que têm o mar nos olhos. Gosto particularmente do toque da luz da lua no olhar. Gosto dos olhos da pequena e bela rapariga que lá longe se faz mulher perante aquela gente. São deveras os meus favoritos porque têm o encanto da menina que foi e da mulher que se tornou. Gosto da expressão que o seu olhar tem quando se deixa levar pelo som da música.
Pessoas continuam a entrar, trazem no olhar o desejo e têm os corpos vestidos de sensualidade. Corpos semi-nus prontos para se libertarem da vida real e entregarem-se à noite e à dança com dedicação e transpiração.
Uma multidão me assalta assim que o espaço começa a faltar, deixo-me levar pelo movimento dos corpos. Tocam-me vezes de mais. Sou arrastado contra a parede, bato violentamente com as costas no branco sujo. Fecho os olhos em dor, um tremor me conquista, o peito aperta e me sufoca, a respiração quase não sai, quase caio sobre o velho soalho. Abro e levo os olhos esganados ao tecto, fixo o olhar sobre um grande e portentoso lustre de cristal que ficou esquecido pelo tempo. A casa transpira história mas hoje não há história que se respeite, hoje esta casa é violentada e marginalizada. Hoje esta casa não passa de mero abrigo para jovens inconsequentes. Espero que resista. Ergo-me perante os demais e finjo ser forte. Pouso a casaca sobre um móvel encostado à parede e faço-me rebelde enquanto avanço para o centro da sala. Finto as pessoas sem medo e com coragem. O chão estremece à medida que toco na madeira velha. Liberto-me em movimentos que não controlo mas flutuo ao som da música. Mal conheço este meu lado rebelde mas hoje o mundo se cala em meu redor e apenas eu existo. É fácil.
O cabelo longo e liso solta-se num movimento e cai sobre os seus ombros despidos. De braços elevados ao ar bailando-os numa dança suave aponta discretamente os olhos para mim. Não desvio o olhar dos seus olhos, ela não recusa o toque de olhares, e sem receio, avanço em sua direcção. Toco-lhe na respiração, levo-lhe as mãos à sua barriga, encosto-me a ela e quase tocamos os rostos. Elevo-a por entre a multidão, rasgamos a sala em movimento, cruzamos os corpos, entrelaçamos os braços, finta-mo-nos vezes sem conta ao som da música que nos bate aos ouvidos. Sobre a alma se abate a euforia e na tentação dos corpos não há lucidez que resista, quase se descontrolam as emoções, quase deixo de ser rebelde. O seu perfume chega a mim aquando baixo a face ao seu pescoço, percorre-me o corpo num ápice. Quase levo os meus lábios à sua pele mas resisto à tentação e deixo somente a respiração libertar-se perto dela.
Não há como fingir o desejo e na dança dos nossos corpos resistir ao seu encanto torna-se impossível, a cada passada vejo-me à procura de um sorriso em seus lábios carnudos mas o sorriso está fechado e tímido. Deixo-me ficar pelo olhar que coloca em mim e me acompanha a todo o tempo. Porém, com o passar do tempo um mundo de gente desconhecida abafa-nos no meio da sala e limita-nos os movimentos. A sua expressão facial muda e incomodada avança por entre os gigantes e quase desaparece nas sombras. Faço um esforço em segui-la mas o meu corpo não se desloca com a mesma facilidade. Lá longe vejo-a subir a toda a velocidade umas escadas que dão para o piso de cima.
Dou com ela ao fim de alguns minutos num quarto de luz apagada, sentada ao pé da cama, virada para a janela. Entro em passos suaves, fecho a porta devagar e sento-me a seu lado. Numa intimidade desconhecida ficamos ali sentados no escuro e em silêncio a olhar a neve cair pela janela enquanto o chão apenas estremecia ao ritmo da música lá de baixo. Dispo-me de rebeldia e aqueço-a num abraço enquanto ela pousa a cabeça em meu peito. Ao fim de alguns segundos deixa-se cair sobre as minhas pernas e coloca os olhos no tecto de madeira. Quase mal falamos, apenas frases soltas eram proferidas mas só os olhos diziam algo que queria mesmo ouvir. Era o brilho no seu olhar que me cativava segundo após segundo. Ficamos ali os dois deitados, corpos juntos, ela virada para cima e eu para baixo com o rosto pousado sobre um dos braços. Apaixonei-me de verdade e a meio de uma frase que já mal conseguia ouvir por tão cego estar lhe roubo um beijo que ela agarrou com toda a força como se fosse tudo o que desejasse e esse beijo perdurou por toda a noite em nossos lábios. Não descolei os meus lábios dos seus e os nossos olhos não mais se abriram, em seu corpo pousei o meu e a roupa rasgada ficou esquecida a um canto. Batia forte o seu coração em explosões sucessivas até ao momento em que do cansaço adormeceu para logo de seguida eu a acompanhar.
Não importa se os ouvidos doiem ou o corpo se recente. A brutalidade do momento é vivida até à exaustão sem controlo nem limites. Assim, os corpos se unem vezes sem conta numa dança pura e limpa e para lá de tudo que se possa pensar ou dizer, não há palavras que nos possam julgar, porque a vontade que cá dentro vive é o que comanda a vida, sem pesar nem receios, e tudo o que fica ao acordar é apenas um zumbido constante nos ouvidos feridos porque as almas essas saem rejuvenescidas e os corações esses saem imaculados. No entanto, é tudo tão fútil que acabamos sempre vazios, perdidos no nosso próprio terror, numa solidão que nos conquista sem pesar e tudo perde encanto ao amanhecer quando dos olhos se abrem à luz do sol e se mostram as verdadeiras caras sem sombras nem maquilhagem e assim as histórias se perdem por entre os dedos e não permanecem para eternidade, não há história que fique para a eternidade, talvez esta casa velha fique para sempre na memória mas o resto esvoaça-se tão rápido como o vento que passa por mim.
Porém, ela ficou a meu lado, agarrada à minha mão mesmo depois do acordar. Ficou ali longos segundos a segurar-me e eu senti o seu coração bater uma vez mais intensamente. Não tive vontade de ir embora como outras vezes o fiz porque hoje acordei com um sorriso nos lábios e um abraço que aquece cá dentro. O vento que veio de um vidro partido na janela limpou-lhe a cara e abriu-lhe os olhos. Eram os mesmos da noite anterior para minha surpresa, tinham uma doçura que já me esquecia. Deixo um sorriso ao seu acordar e deixo-me ficar, tudo o resto pode esperar, porque tudo o que quero agora é viva-la sem egoísmos. Não lhe espero a eternidade, espero somente estes segundos do seu tempo e da sua companhia, e, com isso sei que serei feliz para toda a eternidade porque comigo levarei sempre algo que nunca mais conseguirei esquecer.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Fotografia

Não sei o que sou, sei apenas o que procuro e o que procuro é eternizar numa foto a essência de um momento ou de um espaço. Assim, acredito que todos os que fazem parte desse momento são figuras principais da minha obra e eu sou talvez um artista vagabundo que percorre os espaços deste mundo sem hora marcada procurando sempre ver algo de diferente, algo de novo, algo que possa eventualmente refrescar as nossas mentes cansadas do dia à dia, e assim, incutir através do olhar um novo ser em todos nós.


O meu novo lado artístico :
http://olhares.aeiou.pt/bcoelho

quinta-feira, março 19, 2009

Olhar ao imaginário

No calor do teu corpo queria pousar depois de guardar um beijo teu em meus lábios. Queria dizer-te “Boa noite” num sussurro ao ouvido e sentir o teu cheiro uma última vez antes do adormecer.
Este é o meu imaginário, chegar a casa todos os dias e ver-te, umas vezes sorrindo, outras vezes séria, resmungona ou carinhosa, não importava. Queria apenas sentir-te perto. Tocar-te ao de leve no cabelo ajeitando-o por detrás da orelha de forma a descobrir esses teus olhos únicos e dizer-te “Estás linda” ou perguntar com serenidade “Como correu o teu dia?”.
Palavras doces sairiam pelo meio de conversas fáceis e o nosso mundo se entranhava um no outro um pouco mais. O jantar passava-se comigo a olhar-te vezes sem conta. Nunca perderei o meu olhar do teu. A harmonia estaria instalada.
Levava-te para a cama dançando sobre ti. Tu sorrias e acompanhavas-me com os teus olhos. Tropeçava num dos tapetes, quase caia. Tu soltavas uma gargalhada que entoava pela casa. Sentias-te feliz. Eu sorria dentro de mim, decerto os meus olhos brilhariam, suspirava à medida que me aproximava em passos lentos de ti. Tocava-te, apanhava-te no meu abraço e beijava-te os olhos. Tu recolhias-te em mim e deixavas-te levar. Caíamos os dois suavemente sobre a cama como penas brancas a caírem dos céus. Ficávamos ali segundos longos, talvez minutos olhando o tecto vazio, sorrindo. Tu viras a face para mim, eu acompanho-te e viro o meu corpo na direcção do teu. Olho-te os olhos e digo-te “Amo-te”. Nada mais se diz na noite pois acabaras de adormecer com um sorriso.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Novo mundo em mundo velho

Olhares cruzam-se à minha frente. Distancio-me deles e escondo-me no barulho frio que sai das colunas por detrás de mim. Finto as pessoas e avanço como se fosse a algum lado, mas não há lugar para ir, não há lugar para me perder, em círculos moribundos acabo por voltar ao ponto de partida.
Saio da sala e vou para o refúgio dos viciados do tabaco. Uma réstia de um vento gelado esbate-me a face, fragiliza o meu corpo e quebra o meu silêncio. Arrepia-me, acorda-me no turbilhão da noite!
O corpo começa a gelar, avanço novamente para dentro do turbilhão. Passo invisível pelo meio dos corpos quentes mas no meu desaparecimento alguém repara em mim e me embala nos seus olhos profundos.
Sei que não te importas com este novo eu, com a revolução deste meu novo mundo que me surge no horizonte. Não posso dizer que sou capaz de desprezar esse facto mas no entanto a visão deste meu novo futuro é o suficiente para deixar tudo para trás num sorriso...

sábado, fevereiro 07, 2009

Quero sonhos e turbilhões...

Nem sei o que fazer. Só sei o que sinto e pouco mais. Eu juro-te que nunca imaginei que isto pudesse acontecer. Nunca pensei que algum dia nos conhecêssemos, muito menos que viesses a gostar de mim e ainda menos que os teus beijos me arrepiassem tanto como se nunca tivesse beijado.
Tinha uma vida pacata, alguém do meu lado que brinca aos namorados comigo, que tem planos e que cuidáva de mim sem muitos problemas... Até que apareces tu e tudo muda, tudo... Já não quero a mediocridade, quero o risco e a incerteza. Já não quero paz, quero sonhos e turbilhões, e, mesmo sabendo que tenho tudo para falhar não consigo parar de alimentar o sonho de te ter por perto, de te querer.
Anseio por te ver, por te tocar, por estar perto de ti... Anseio cruzar o meu olhar com o teu, anseio ouvir-te, cuidar de ti....
Mas... e se falhar?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

E assim te beijei...

Só queria ficar a meio palmo de ti sentindo em mim a tua presença mas acabei com os meus olhos agarrados ao teu olhar. O coração soltou-se em batimentos fortes que não conseguia controlar e a cada segundo que passava mais o meu corpo se aproximava do teu.
Toquei na tua mão como acontece nos filmes e foi aí no toque dos dedos que o meu mundo ruiu tal como eu conhecia e os sentimentos profundos que já não me lembravam se libertaram.
Sorri...
Naquele momento, o mundo em nosso redor deixou de existir. Perdi o meu passado, perdi o teu, toquei a tua face em medo, senti o teu olhar perder-se dentro de ti e avancei. Os nossos olhos se fecharam, os lábios tocaram, o meu corpo explodiu. Como tremi dentro mim... mas acabei livre dos meus próprios medos e essencialmente feliz.
Agora não consigo dormir somente a pensar naquele momento, não consigo desviar o meu pensamento de ti, vezes sem conta vêem-me à cabeça as imagens e emoções daquele momento, mas sabes? Estou tão feliz... que poderia nunca mais ver-te que dentro de mim permaneceria o teu eco.

Agora sabes que existo de forma tão real que os teus sentimentos ganharão significação em ti. Assim parti mas em ti deixei parte de mim. Agora sabes de que sou feito, agora podes sonhar...

sábado, janeiro 31, 2009

Com o mundo de pernas para o ar para de novo voltar a sonhar...

Talvez não tenhas sentido em mim, nas minhas palavras passadas, uma certa angústia por não me sentir vivo mas a verdade é que me acordaste.
Nada melhor que colocar o mundo de pernas para o ar para depois voltar a colocar tudo no sítio certo.
Deixa-me sonhar...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Voltar a sorrir num toque de olhares...

No silêncio da minha ignorância fui feliz e no meu próprio vazio era capaz de sonhar... Desta forma fiz uma vida de passos curtos mas acertados. Assim pensava eu no tempo em que a simplicidade do toque de olhares chegava para me roubar um sorriso, mas hoje, tudo me é diferente, o tempo trouxe-me sabedoria e com ela trouxe-me a desilusão.
No entanto, novos olhares se criam, e, na sua complexidade tento descobrir a sua essência. Custa-me sorrir mas a verdade é que voltei a sorrir, e senti-me bem, senti-me livre novamente.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Amor

Na verdade poucos são aqueles que gostam de ler ver ou ouvir algo duro profundo e sentido, pois estão demasiado perdidos na sua própria existência que não conseguem despertar os seus mais intrínsecos sentimentos de forma a poderem contemplar o que há de mais belo na vida: o Amor.

domingo, novembro 16, 2008

Adormeçe em meus braços

Os teus olhos pesam, fecha-os devagar, suavemente, até as tuas pestanas se cruzarem. Não deixes a tua mente avançar com imagens disparatadas e sem nexo, fica tranquila e espera por mim. Vou devagar, suave, até os meus lábios tocarem na tua aura, paro, deixo os meus olhos se fecharem também, crio a tua imagem dentro de mim, guardo-a para mim, avanço, os nossos lábios se tocam, estão secos mas rapidamente se tornam húmidos e quentes. Cruzamos as línguas, embrulhamos os corpos um no outro, eu te prendo a mim, abraço-te, e, digo-te ao ouvido, num sussurro leve: Adoro-te… enquanto adormeces nos meus braços.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Como eu te escrevo

Soletra cada silaba
Com os teus suaves lábios.
Capta cada pormenor
Com os teus brilhantes olhos.
Apalpa...
Sente...
A forma como eu te escrevo
Porque nela está a minha vida...

Medo

Todos... temos... medo...
Medo do desconhecido, do escuro, de portas por abrir, de sombras que deambulam à nossa volta como espíritos vigilantes. Todos temos receio. Receio do que está para chegar, do futuro, de actos imprevistos que atarantam o nosso dia-a-dia. Somos fracos aos olhos de Deus, não temos a força divina connosco. Somos como presas solitárias que têm medo da própria sombra, que fugimos para não sermos caçados e assim vivemos os dias lentamente, olhando todos os recantos desconfiados e amedrontados. Somos todos prisioneiros de nós próprios, e no nosso próprio medo, tememos avançar em passos gigantescos no meio da multidão, somos como um rebanho que se juntam para serem mais fortes. Nem no meio somos gigantes. No fim, somos todos um vazio de mentes sempre a fugir do que nos mete medo, da noite e da vida.

domingo, novembro 02, 2008

Sonhos tocáveis

"Através de ti sinto os sonhos ganharem forma e tornarem-se tocáveis..."

quarta-feira, outubro 29, 2008

Não me desvies o olhar...

Um dia olhei os teus olhos, aquando os fixas-te em mim, e, de forma surpreendente encontrei neles uma razão para ficar.
No entanto, esses teus olhos não mais se fixaram nos meus. Vezes sem conta dáva comigo tentando agarrar-te o olhar mas nada conseguia. Vezes demais o desviavas de mim, evitavas olhar-me...
Sei porque o fazias...
Não querias sofrer...
Mas por não quereres sofrer não viste o quando eu queria me agarrar a ti...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Boa Noite...

Queria estar contigo. Queria...
Queria fechar-te os olhos, tocar-te com mãos quentes, deixar-te algo meu... Queria que sentisses o sabor de um beijo meu no último instante antes de adormeceres... Irias sentir algo mais forte que tudo, e, os sonhos iriam surgir naturalmente belos.
Amanhã acordarias com um brilho no olhar e um sorriso nos lábios, mas sei que estou longe, a distância nos separa. Só me resta esperar que me sintas mesmo longe e que o que sentes de mim seja suficiente forte para te embalar na longa noite...
Boa noite... meu Amor...

terça-feira, outubro 21, 2008

Sentido desejo

Não me apagues a luz
pois tremenda é a noite
e os olhos já não veem.
Sou solitário,
vagabundo não desejado
aos olhos desta gente,
mas não me apagues já
pois ainda agora acordei,
e ainda mal vivi
esta inesperada vida.

Vem e trás a alma acesa
pois apagado o mundo está
por entre vozes que não se calam.
Sou silêncio,
tenebroso eco vazio
aos ouvidos desta gente
mas não me cales de vez
pois ainda agora comecei,
a falar do que aprendi
deste meu sentido desejo.

Ó mulher estremosa
não me feches a visão
pois o que vejo
abala meu coração.

Ó doce mulher
não me cales a voz
pois o que sinto
não pode ficar por dizer...