quinta-feira, abril 14, 2011

Seremos uma Geração À Rasca?

Seremos uma Geração À Rasca ?

Estamos em dificuldades, isso é inegável, mas penso que as dificuldades dos dias de hoje são comuns contratempos de qualquer geração.
Todos temos direito a reclamar, faz parte da nossa liberdade, do nosso ser, e, ninguém nos pode retirar esse direito. No entanto, acredito que destas dificuldades terá que sair uma geração capaz de se adaptar às novas circunstâncias da vida e por isso fortalecida para o futuro.

A seguir deixo um texto de Mia Couto que achei interessante:


"Geração à Rasca - A Nossa Culpa - MIA COUTO"

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!


segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Cisne Preto


Era um dos filmes mais aguardados do ano e na verdade "Cisne Preto" ou "Black Swan" foi uma agradável surpresa. Com uma boa realização brilhante e um desempenho notável de Natalie Portman este thriller psicológico ocorrido no mundo do ballet é um dos melhores filmes do ano.

Avaliação Bruno Coelho : 5 estrelas (Recomendo a todos os que gostam de um bom Thriller Psicológicos)

Sinopse :

A primeira bailarina da companhia Beth MacIntire está para se aposentar. Com isso Nina se torna a primeira bailarina, mas o problema é que ela possui muitos problemas pessoais, o maior dele é com a sua mãe.
Pressionada pelo director artístico Thomas Leroy, Nina começa a enxercar uma concorrência com sua colega Lilly.

Elenco :

Natalie Portman – Nina Sayers
Vicent Cassel – Thomas Leroy
Mila Kunis – Lilly
Babara Hershey – Erica Sayers
Winoma Ryder – Bath MacIntyre

Realização : Darren Aronofsky




sexta-feira, novembro 05, 2010

MÁRCIA "A pele que há em mim"

Eis a música e o videoclip para o belíssimo “A Pele Que Há em Mim” de Márcia, tema incluído no EP homónimo de 2009, distribuído gratuitamente pela Optimus Discos.



Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.


"A pele que há em mim"
Márcia

Creep - "Scala & Kolacny Brothers" Version


sexta-feira, outubro 29, 2010

Brandon Flowers - Crossfire



There’s a still in the street outside your window
You’re keepin’ secrets on your pillow
Let me inside, no cause for alarm
I promise tonight not to do no harm
I promise you baby,I won't be no harm

And we're caught up in the crossfire
A heaven and hell
And were searching for shelter
Lay your body down...

Watching your dress as you turn down the light
I forget all about the storm outside
Dark clouds roll their way over town
Heartache and pain came pouring down like
Chaos in the rain, yeah

They're handing it out

And we're caught up in the crossfire
Heaven and hell
And were searching for shelter
Lay your body down...

Tell the devil that he can go back from where he came
His fire he airs all through their beating vein.
And when the hardest part is over we'll be here
And our dreams will break the boundaries of our fears
Boundaries of our fears

Lay your body down(6x)

Next to mine....

"Crossfire"
Brandon Flowers

quarta-feira, outubro 27, 2010

O Português Voador


“O Português Voador” (Uma peça de Teatro que conta a vida do ciclista Lordelense Ribeiro da Silva), é um projecto realizado pela Astrofingido, com o apoio da Fundação A LORD e da Direcção Geral das Artes Ministério da Cultura. A peça estará em exibição nos dias 22-23 e 29-30 de Outubro pelas 21H30M no Auditório da Fundação ALORD.
Bilhetes à venda na Fundação A LORD, ao preço de 3,5 Euros.

Ficha artística:

Texto e encenação: Fernando Moreira
Assistência de encenação: Ângela Marques
Cenografia: Emanuel Santos
Figurinos: Marita Setas Ferro
Música original : Carlos Adolfo – com a participação de elementos da Banda Filarmónica da Associação Recreativa e Musical de Vilela
Movimento: Anabela Nóbrega
Luz: Wilma Moutinho
Design gráfico: Teresa Folha
Elenco: Anabela Nóbrega, Cristóvão Carvalheiro, Tiago Lourenço, Rúben Andrade e 22 actores actores amadores
Produção: Astro Fingido

A não perder...
Eu lá estarei.

Scarlett Johansson - Falling Down (Video)