sexta-feira, março 28, 2008

Caetano Veloso - Sozinho (acústico)


Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado juntando
O antes o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Porque você me esquece e some
E se eu me interessar por alguém
E se ela de repente me ganha
Quando a gente gosta é claro que a gente cuida
Fala que me ama só que é da boca pra fora
Ou você me engana ou não está madura eieie
Onde está você agora!!
Aqui!!
Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado juntando
O antes o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Porque você me esquece e some
E se eu me interessar por alguém
E se ela de repente me ganha
Quando a gente gosta é claro que a gente cuida
Fala que me ama só que é da boca pra fora
Ou você me engana ou não está madura eieie
Onde está você agora!!
Aqui!!

Diário de um cão

1ª semana
Hoje completei uma semana de vida.
Que alegria ter chegado a este mundo !

1º mês
A Minha mãe cuida muito bem de mim.
É uma mãe exemplar !

2 meses
Hoje separaram-me da minha mãe.
Ela estava muito irrequieta e,com seu olhar, disse-me adeus.
Espero que a minha nova "família humana" cuide tão bem de mim como ela o fez.

4º meses
Cresci rápido, tudo me chama a atenção.
Há várias crianças na casa e para mim são como " irmãozinhos ". Somos muito brincalhões, eles puxam-me o rabo e eu mordo-os na brincadeira.

5 meses
Hoje deram-me uma bronca.
A minha dona ficou incomodada porque fiz xixi dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo.
Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para aguentar.

8 meses
Sou um cão feliz!
Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido...
Acho que a minha família humana me ama e me dá muitas coisas.
O pátio é todinho para mim e, às vezes,excedo-me, cavando na terra como meus antepassados, os lobos quando escondiam a comida.

Nunca me educam...
Deve ser correto tudo o que faço.

12 meses
Hoje completo um ano.
Sou um cão adulto.
Os meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam.
Que orgulho devem ter de mim.

13 meses
Hoje acorrentaram-me e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra.
Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está a acontecer.

15 meses
Já nada é igual... moro na varanda. Sinto-me muito só.
A Minha família já não me quer!
Às vezes esquecem-se que tenho fome e sede.
Quando chove, não tenho tecto que me abrigue...

16 meses
Hoje tiraram-me da varanda.
Estou certo de que a minha família me perdoou.
Eu fiquei tão contente que pulava com gosto.
O meu rabo parecia um ventilador.
Além disso, vão levar-me a passear!!
Dirigimo-nos para a estrada e, de repente, pararam o automóvel.
Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos o nosso dia no campo.
Não compreendo porque fecharam a porta e se foram.
"Ouçam, esperem!" lati... esqueceram-se de mim...
Corri atrás do carro com todas as minhas forcas.
A minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego e eles não paravam.
Esqueceram-se de mim !

17 meses
Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar.
Estou só e sinto-me perdido !
No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento.
Eu agradeço-lhes com o meu olhar, desde o fundo da minha alma.
Eu gostaria que me adoptassem: seria leal como ninguém!

Mas apenas dizem: " pobre cãozinho, deve ter-se perdido."

18 meses
Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como os meus " irmãozinhos " aproximei-me e um grupo-me deles, rindo, atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria".

Uma dessas pedras, feriu-me o olho e desde então, não vejo com ele.

19 meses
Parece mentira.
Quando estava mais bonito,tinham compaixão de mim.
Já estou muito fraco; meu aspecto mudou.
Perdi o meu olho e as pessoas mostram-me a vassoura quando pretendo deitar-me numa pequena sombra.

20 meses
Quase não posso mexer-me!
Hoje,ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um acertou-me!
Eu estava no lugar seguro chamado "calçada", mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me.
Oxalá me tivesse morto!
Mas só me deslocou as patas traseiras! A dor e terrível!
As minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho.
Faz dez dias que estou debaixo de sol, de chuva, de frio,sem comer.
Já não posso mexer-me!
A dor é insuportável! Sinto-me muito mal, fiquei num lugar húmido e parece que até o meu pelo está a caír...
Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: "não te chegues perto".
Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos.
A doçura de sua voz fez-me reagir.
"Pobre cãozinho, olha como te deixaram ", dizia... com ela estava um senhor de avental branco.
Começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas este cão já não tem remédio.
É melhor que pare de sofrer".
A gentil senhora, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou.
Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar.
Somente senti a picada da injecção e dormi para sempre, pensando em porque tive que nascer se ninguém me queria...


Anónimo


Assim que se tem um cão, um gato ou um outro animal é sempre uma responsabilidade obrigatória que temos em tratá-los com o devido cuidado e respeito. Devemos assumir essa responsabilidade e nunca esqueçer que um animal é um ser vivo e como todo ser vivo tem direito à vida, tem direito à melhor vida possivel.
Se sentes que não és capaz de respeitar a liberdade de um animal, se sentes que não és capaz de entendar as diferenças entre ti e o animal então não és merecedor de teres à tua responsabilidade um animal.

quinta-feira, março 27, 2008

Porquê?

Vês as coisas que existem e perguntas-te: 'Porquê?'
Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: 'Porque não?'


Bernard Shaw

quinta-feira, março 06, 2008

Troca

Posso não ser o dono da sabedoria, e, dessa forma não ser capaz de dizer aquelas coisas que fazem chorar. No entanto, em mim vive a revolução pela qual todos os apaixonados passam, e como todos os apaixonados, o que mais desejo é a troca recíproca dos mesmos sentimentos...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Sei que fui feliz

Para trás do meu presente sei que houve um tempo em que fui feliz, e de certa forma ainda vivo feliz, mas esta felicidade já não é alcançada com novos momentos, é uma felicidade à base de memórias e da esperança, é um faz de conta constante, um enganar reptitivo.
Com o tempo algo se perdeu e hoje vejo-me incutido num mundo que não é o meu e mal sei viver. Quero viver mas falta-me a força. Falta-me devido à ausência da tua presença ou devido à tua frieza assim que te sinto. Sei que me engano a mim mesmo a acreditar que tudo pode voltar a ser como antes.
A ilusão ofusca-nos a visão e a mente.
Seja como for, não é que queira que tudo volte ao passado, só quero que consiga voltar a criar momentos, imagens, sons que me façam sorrir e acreditar. Só quero que algo volte a despertar as minhas emoções para conseguir voltar a viver.

segunda-feira, maio 07, 2007

Uníssono

O que procuro é a unicidade de dois corações que batem lado a lado e a junção de duas personalidades distintas num único ponto. Procuro o que me faz vibrar, a paixão arrebatadora, a ternura do amor, a beleza de uma orquidea, o perfume de jasmim ou o sabor do morango. Procuro o instante em que o nosso corpo se mistura na perfeição com a natureza, como o mergulhar do corpo na água morna e salgada do mar mediterrâneo, como o toque da bruma matinal em corpos despidos ou como o pousar de uma leve pena nos lábios macios de uma mulher. Procuro a perfeição do momento e eterniza-lo dentro de mim para todo um sempre. Procuro-te todos os dias como se nunca te tivesse encontrado, e, todos os dias te descubro como se fosse a primeira vez...

quinta-feira, março 22, 2007

O que mais te surpreende na Humanidade?

"Os Homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."

Dalai Lama

domingo, março 04, 2007

Eclipse da Lua


Desilusão & Egoísmo

"A desilusão é parte de um egoísmo que vive em nós!"
Bruno Coelho

O segundo entre vida e morte...

PUM... PUM...
O meu coração bate baixinho. Aos meus ouvidos só um silêncio ruidoso se faz ouvir. Um clarão trespassa-me a visão para uma eternidade de cegueira. Caio desamparado sobre a calçada molhada, bato com a cabeça no chão e perco os sentidos. Sinto o meu corpo fugir à medida que fechava os olhos devagarinho. O meu coração mal bate, já não sinto, já não sinto...
Um frio curto toca-me quando fecho os olhos, acompanha-me nos segundos rápidos do meu sono. Contudo, algo se agita dentro de mim e provoca-me um tremor. Não dou conta, seguia com olhos fixos uma intensa luz branca ao fundo da escuridão. Queria alcança-la para lhe tocar mas os pés fugiam-me, não estava preparado.
Encantado pela luz via a vida fugir. Em volta de mim, para lá do meu sono, da vida que me era real, as pessoas se aglomeravam e davam as vidas para me acordar, mas ainda não era tempo, ainda via a luz ao fundo, começava a sentir o seu calor.
No frio, que me gelava de dentro para fora, sentia agora um formigueiro do adormecer do corpo. Senti um enorme desconforto ao ver-me impotente para controlar tal situação, senti medo pela primeira vez…
Voltavam os tremores, agora mais fortes que nunca. Passaram a convoluções rítmicas mas espaçadas. Entre os tremores o meu corpo morria para logo de seguida voltar. Morria e nascia repetidamente. A luz se fechava e se abria aos meus olhos até que se fez sentir uma enorme pressão sobre mim. A luz apagou-se e só restava agora a escuridão. O meu corpo parecia rebentar mas não sentia dor. Contudo, estava só no limite, os meus ouvidos começaram a zumbir tão alto, comecei a sentir uma dor no peito, parecia que estava próximo de rebentar. A dor aumentava cada vez mais, já não aguentava, queria apagar-me de vez. Parecia que estava a ser pisado por um elefante do tamanho de uma casa.
PUM… PUM.
Senti de novo o meu coração bater baixinho. A dor apaziguou-se dentro de mim, os ouvidos ainda zumbiam mas já me acostumava à sua presença. Senti novamente a força nas pálpebras dos olhos e esforcei-me para os abrir. Ainda não conseguia.
A luz branca que se tinha apagado, voltava calmamente enquanto respirava baixinho. Via-a como um anjo a aproximar-se, aumentava gradualmente até chegar tão perto de mim que podia tocar-lhe. Não quis tocar, só fiquei a observa-lo. Esta luz em forma de anjo já não era tão intensa como antes, sentia até uma sombra em seu redor. Rodava ou rodopiava em volta da luz que se voltava a apagar. Já não havia luz nem anjo, só o negro da sombra que deambulava nos meus olhos, livre e intensa. Os ouvidos continuavam a zumbir, o peito continuava a doer-me e respirar não era fácil. A sombra não me saía dos olhos, começava a assustar, começava a ganhar forma. Envolto de si mesmo a sombra criava a ilusão do terror e do medo, fiz-me forte, mas a sombra já não era sombra mas sim a carnificação do demónio que se alastrava pela minha alma, que se agarrava a mim com unhas de gato e me puxava para si. Num ápice de segundo cegou-me e sufocou-me enquanto me engolia nele mesmo. Ainda lutei, ainda tentei abrir os olhos mas ele era mais forte que eu e não me deixava fugir porque me prendia a correntes invisíveis. Eu sei que não havia nada, não existia nada, era só imaginação da minha mente, provocada pelo meu estado febril talvez, queria acreditar em tal pois o que via era demasiado horrível e assustador para ser real. Sentia as pálpebras dos meus olhos tremerem à medida que tentava abrir os olhos, quase conseguia, quase, falta pouco. Só um último esforço e serei novamente livre. Queria respirar, não conseguia, estava aflito, em pânico. Parecia que tinha a garganta tapada, sentia-me delirar dentro do demónio, queria gritar e libertar-me e voltar a respirar, queria gritar, queria…
Fugi, acordei, levanto-me do chão ainda sufocado, tento gritar e finalmente o grito sai-me livre e alto. Continuei a gritar durante alguns segundos para logo depois cair num choro de aflição. Parecia que não chorava desde pequenino. As pessoas olhavam-me com o olhar assustado. Não conseguia parar, era mais forte que tudo, queria sentir-me vivo e senti-me vivo. Senti o pânico e o medo de morrer, queria respirar e tocar em alguém, beijar alguém, sentir o amor e purificar-me de todo o mal.
Senti o aperto de alguém, não consegui ver a sua face mas fez-me sentir bem. Pouca força tinha para fazer mais do que simplesmente aceitar o seu aperto em mim. Pousei a minha cabeça em seu ombro, senti-me bem, deixei-me ficar…

Por vezes é preciso morrer para saber viver. Foi quando pousei a cabeça no seu ombro que senti que vivia e podia viver. Não sei se o que vivi foi real ou só pura imaginação da minha alma nas últimas gotas de oxigénio.
Na hora da nossa morte existe uns instante de tempo que nos parece eterno mas que na realidade não passa de uns milésimos de segundo da dimensão que vivemos. Nesse instante de segundo criamos um sonho, um sonho à nossa imagem. O que eu vi foi Deus e o Demónio porque era o que eu acreditava, foram os filmes que vi enquanto vivia que me deram as imagens que precisava, só tive que sonhar. Se tivesse sonhado só com Deus provavelmente não iria querer voltar a viver por isso o Demónio fez-me lutar para viver. Deu-me a força que precisava. Isto é o mais próximo que alguém conseguiu descobrir da morte. É o segundo em que o nosso coração pára e o nosso cérebro ainda trabalha. Para lá deste segundo ninguém voltou porque por lá ficaram.